quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Bruta Flor

De como fiquei bruta flor é uma história de amor. Uma história de amor próprio. É a história de um coração em busca de entender seu frenético percurso em relação ao outro. Uma jornada de "descida aos infernos" em busca de si mesmo.

Como uma guerreira em frente a um campo de batalha, uma mulher e sua sombra se desdobram, armas do coração em punho, na solidão da noite, e enfrentam todos os fantasmas do passado, na tentativa de recuperar a própria essência e a vontade de viver.

Duas atrizes, num jogo-revezamento vivenciam esta trajetória conhecida de todos, onde o coração dita as regras e a poesia é o verbo escolhido como instrumento de narração da ação dramática.

Bruta Flor, mais do que uma peça de teatro, é um aprendizado de amor, em ação.

Para o coração permanecer vivo e pulsante durante toda a vida, há que aprender a morrer.




"O enredo do amor é tecido de desejo, imaginário e declarações. O amante fala, comunica, desvela-se e se contradiz. "O amante não pára de correr dentro da própria cabeça, de encetar novos caminhos e de intrigar contra si mesmo", diz-nos o pensador francês Roland Barthes.

O fato é que a razão não predomina. Ao ser guiado muito mais pelo sentimento amoroso, o discurso do amante é uma tentativa de prestar contas a respeito da emoção que o abisma, mesmo que por felicidade ou dor. Porque este(a) a quem amo é meu bem e meu saber. Pretensamente, apenas eu o(a) conheço e faço existir em sua verdade.

A tentativa de exprimir o que é o amor está aos pés do mito poderoso da criação estética. A poesia procura, por belos e magníficos discursos, nomear o sentimento amoroso. O mesmo se dá com a obra estética e literária, que busca ao menos dizer. E pode dizer quase nada, ou dizer demais.

Difícil ajustar o que é próximo do inexprimível. Esse é o alcance e o impasse, por exemplo, das cartas de amor.

O espetáculo "De como fiquei bruta flor... ou Espasmos literários de um coração desvairado! Poema de ações dramáticas", que o SESC Consolação traz ao público, se constitui por cartas. São cenas-sequências enlaçando os meandros do sentimento amoroso em uma de suas figuras: o abandono. Uma encenação em forma de jornada, que se estabelece entre o desafio do entendimento e o desabafo pela incompreensão, porque o amor é sublime e insensato, é nascedouro e drama.

Se falar de amor é compartilhar um discurso, o SESC SP, em sua programação cultural e educativa, procura e partilha do que é constituinte do ser humano: a capacidade de, ao dizer "eu te amo", desejar e agir para a união de pessoas. E fazer como se não houvesse qualquer teatro da fala, mas somente este sentido duplo do materno e do amoroso."

Danilo Santos de Miranda
Diretor Regional do SESC São Paulo


DE COMO FIQUEI BRUTA FLOR /
ESPASMOS DE UM CORAÇÃO DESVAIRADO

SESC Consolação
15/10 a 04/12.
Quintas e sextas, às 21h.
Portal SESC SP - www.sescsp.org.br



Este maravilhoso espetáculo que tive a oportunidade de ver mostra que ao rejeitar o mais próximo, rejeitamos à nós mesmo. Mostra o porque da necessidade de nos sentirmos presentes nas vidas dos outros. E revela o como nós somos prisioneiros do nosso próprio eu.

Aprendi que o amor não é e não deve ser um fardo. Que dentro de qualquer processo na vida, existe O PROCESSO, e que para compreender todas as situações, é necessário passar por cada fase para um melhor amadurecimento.

Aprendi que feridas e cicatrizes não podem ser apagadas, mas de fato nos fortalece e nos torna mais resistente. Que o ócio criativo é uma forma de evitar uma mecanização em nossas vidas, nos tornando mais humano, considerando e zelando pela nossa "alma", e abandonando toda a vida em "piloto automático".

E que em todo Processo, existe um sacrifício. Que este sacrifício não é fácil, mas que após todo holocausto existe o alívio que nos gera um renascimento.

Hoje, tenho convicção que uma nova criação, eu sou.



Ficha Técnica:
Atrizes-Jogadoras: Lucienne Guedes e Mariana Senne
Dramaturgia: Claudia Schapira
Coreografia e preparação corporal: Lu Favoreto
Preparação vocal: Andrea Drigo
Direção de arte e coreografia: Simone Mina
Figurino: Claudia Schapira
Luz: Alessandra Domingues e Cibele Forjaz
Vídeo: Tatiana Lohmann
Trilha Sonora: Eugenio Lima e Andrea Drigo
Contra-regra: Dani Colazante
Produção: Eneida de Souza
Direção: Cibele Forjaz

Nenhum comentário: