POZZO (num gesto magnânimo)
Não falemos mais sobre isso. (Ele puxa a corda.) De pé, porco! Toda vez que ele cai, pega no sono. (Puxa a corda.) De pé, suíno! (Os ruídos de Lucky se levantando e recolhendo sua bagagem.) Volte! (Lucky entra de costas.) Pare! (Lucky pára.) Vire-se! (Lucky se vira. Pozzo se dirige afavelmente a Vladimir e Estragon.) Cavalheiros, estou feliz por tê-los encontrado. (Diante se suas feições incrédulas.) Sim, sim, sinceramente feliz. (Ele puxa a corda.) Mais perto! (Lucky avança.) Pare! (Lucky pára.) Sim, a estrada parece longa quando alguém viaja sozinho por... (Ele consulta seu relógio.) ... sim... (Ele calcula.) ... sim, seis horas, é isso, seis horas sem avistar viva alma. (A Lucky.) Casaco! (Lucky coloca a mala no chão, avança, entrega o sobretudo, volta ao seu lugar, levanta a mala.) Segure isto! (Pozzo levanta o chicote. Lucky avança e, com as duas mãos ocupadas, pega o chicote com a boca. Volta ao seu lugar. Pozzo começa a vestir o sobretudo, mas pára.) Casaco! (Lucky coloca toda a bagagem no chão, avança, ajuda Pozzo a colocar seu sobretudo, volta ao seu lugar e pega toda a bagagem novamente.) Há um toque de outono no ar desta tarde. (Pozzo termina de abotoar o sobretudo, curva-se um pouco, inspeciona-se, fica satisfeito.) Chicote! (Lucky avança, inclina-se, Pozzo pega o chicote de sua boca, Lucky volta ao seu lugar.) Sim, cavalheiros, eu não posso ficar por muito tempo distante da companhia de meus semelhantes. (Ele coloca seus óculos e contempla seus semelhantes.) Mesmo quando a semelhança não é tão perfeita. (Ele tira seus óculos.) Banco! (Lucky coloca a mala e a cesta no chão, avança, abre o banco, coloca-o no chão, volta ao seu lugar, pega a mala e a cesta.) Mais perto! (Lucky coloca a mala e a cesta no chão, avança, move o banco, volta ao seu lugar, pega a mala e a cesta. Pozzo se senta, espeta o chicote no peito de Lucky e o empurra.) Para trás! (Lucky dá um passo para trás.) Mais! (Lucky dá outro passo para trás.) Pare! (Lucky pára. A Vladimir e Estragon.) Essa é a razão pela qual, se os senhores permitirem, proponho passar um momento em vossa companhia antes de prosseguir com a viagem. Cesta! (Lucky avança, lhe dá a cesta, volta ao seu lugar.) O ar fresco estimula o apetite indevido. (Ele abre a cesta, tira um pedaço de frango e uma garrafa de vinho.) Cesta! (Lucky avança, pega a cesta e volta ao seu lugar.) Mais! (Lucky dá um passo para trás.) Ele fede. À dias felizes! (Ele bebe da garrafa, a coloca no chão e começa a comer o frango. Silêncio.) Vladimir e Estragon – a princípio cautelosos e depois mais confiantes – começam a rodear Lucky, inspecionando-o de cima a baixo. Pozzo come seu frango vorazmente, atirando os ossos para longe após chupá-los. Lucky se curva lentamente, até que a mala e a cesta toquem o chão, então levanta-se de prontidão e começa a se curvar novamente. Ritmo de quem dorme em pé.
ESTRAGON
O que é que ele tem?
VLADIMIR
Parece cansado.
ESTRAGON
Por que ele não põe as bagagens no chão?
VLADIMIR
Como é que eu vou saber? (Eles chegam perto de Lucky.) Cuidado!
ESTRAGON
Fale com ele.
VLADIMIR
Veja!
ESTRAGON
O quê?
VLADIMIR (apontando)
O pescoço dele!
ESTRAGON (olhando para o pescoço de Lucky)
Não vejo nada.
VLADIMIR
Aqui.
Estragon vai até o lado de Vladimir.
ESTRAGON
Oh, sim!
VLADIMIR
Uma ferida!
ESTRAGON
É a corda.
VLADIMIR
É de tanto puxar.

Durante o violento monólogo de Lucky, os outros reagem como se segue:
1 – Vladimir e Estragon prestando muita atenção. Pozzo irritado e deprimido.
2 – Primeiros murmúrios de Vladimir e Estragon. Cresce o sofrimento de Pozzo.
3 – Vladimir e Estragon atentos novamente. Pozzo cada vez mais agitado, gemendo.
4 – Vladimir e Estragon exclamam violentamente. Pozzo se levanta num salto e puxa a corda. Clamor
geral. Lucky também puxa a corda, tenta se equilibrar e continua aos berros com seu texto. Todos os
três se atiram sobre Lucky, que resiste lutando e gritando seu texto.
LUCKY
Dada a existência conforme se comprova nos trabalhos publicados de Puncher e Wattmann de um Deus pessoal quáquáquáquá de barbas brancas quáquáquáquá fora do tempo fora do espaço estando fora da hipótese de compreensão que do alto de sua divina apatia divina atambia divina afasia a todos ama profundamente com algumas exceções por razões desconhecidas mas o tempo dirá e sofre como o divino Miranda com aqueles que por razões desconhecidas mas o tempo dirá estão mergulhados no tormento mergulhados no fogo cujo fogo da flama se durar e quem pode duvidar incendiará o firmamento isto é atirar o inferno ao céu tão azul tranqüilo e calmo tão calmo com uma calma que mesmo vista como intermitente é melhor que nada mas não tão rápido e considerando o que é mais que um resultado dos trabalhos inacabados concluídos pela Acacacacademia de Antropopopometria de Essy-em-Possy de Testew e Cunnard fica estabelecido descartando-se todas as dúvidas todas as outras dúvidas que o que é permitido aos cálculos humanos assim como o resultado dos trabalhos inacabados de Testew e Cunnard consta a seguir mas não nos apressemos não tão rápido por razões desconhecidas que tendo em vista um resultado dos trabalhos publicados de Puncher e Wattmann estão estabelecidas acima de qualquer dúvida que tendo em vista os esforços de Fartov e Belcher deixados incompletos por razões desconhecidas de Testew e unnard inacabadas fica estabelecido quantos refutam aquele homem em Possy de Testew e Cunnard aquele homem em Essy aquele homem enfim resumindo que o homem em resumo apesar dos progressos na alimentação e na defecação perdas e rejuvenescimentos perdas e rejuvenescimentos e ao mesmo tempo simultaneamente por razões desconhecidas apesar dos progressos na cultura física na prática de esportes como tênis futebol atletismo ciclismo natação aviação mergulho equitação pára-quedismo conação camogie patinação tênis de todos os tipos morte aviação esportes variados outono verão inverno inverno tênis de todos os tipos hockey de todos os jeitos penicilina e sucedâneos em poucas palavras eu resumo aviação pára-quedismo golfe de nove e de dezoito buracos tênis dos mais variados tipos em poucas palavras por razões desconhecidas em Feckham Peckham Fulham Clapham nomeando ao mesmo tempo simultaneamente o que por razões desconhecidas mas o tempo dirá definha resumindo Fulham Clapham em poucas palavras a morte per capita desde a morte de Bishop Berkeley sendo de uma polegada e um quarto per capita aproximadamente e muito mais ou menos próxima a medida decimal arredondada determina os pés descalços em Connemara em poucas palavras por razões desconhecidas não importa o que importa os fatos estão aí e considerando o que é mais muito mais grave que a luz a luz à luz dos esforços perdidos de Steinweg e Peterman parece o que é muito mais muito grave que a luz à luz a luz à luz dos trabalhos perdidos de Steinweg e Peterman que nas planícies nas montanhas pelos mares pelos rios água corrente correndo fogo corrente o ar é o mesmo e então a terra quer dizer o ar e então a terra no grande frio no grande escuro o ar e a terra transformam-se em pedra no grande frio tristemente no ano de seu Senhor seiscentos e alguma coisa o ar a terra o mar a terra transformam-se em pedra nas profundezas o grande frio no mar nas terras e no ar resumindo por razões desconhecidas apesar do tênis os fatos estão aí mas o tempo dirá em resumo tristemente em no enfim justo em frente em transformar-se em pedras quem pode duvidar resumindo mas não tão rápido sem pressa eu resumo o crânio sumindo sumindo sumindo e concomitantemente em paralelo o que é mais por razões desconhecidas apesar do crânio o crânio o crânio em Connemara apesar do tênis os cálculos abandonados inacabados enterrados ainda abrigando pedras em poucas palavras resumindo é uma pena tristemente abandonadas inacabadas o crânio o crânio em Connemara apesar do tênis do crânio das pedras Cunnard.
Confusão, tumulto e luta. Vociferações finais.
Não falemos mais sobre isso. (Ele puxa a corda.) De pé, porco! Toda vez que ele cai, pega no sono. (Puxa a corda.) De pé, suíno! (Os ruídos de Lucky se levantando e recolhendo sua bagagem.) Volte! (Lucky entra de costas.) Pare! (Lucky pára.) Vire-se! (Lucky se vira. Pozzo se dirige afavelmente a Vladimir e Estragon.) Cavalheiros, estou feliz por tê-los encontrado. (Diante se suas feições incrédulas.) Sim, sim, sinceramente feliz. (Ele puxa a corda.) Mais perto! (Lucky avança.) Pare! (Lucky pára.) Sim, a estrada parece longa quando alguém viaja sozinho por... (Ele consulta seu relógio.) ... sim... (Ele calcula.) ... sim, seis horas, é isso, seis horas sem avistar viva alma. (A Lucky.) Casaco! (Lucky coloca a mala no chão, avança, entrega o sobretudo, volta ao seu lugar, levanta a mala.) Segure isto! (Pozzo levanta o chicote. Lucky avança e, com as duas mãos ocupadas, pega o chicote com a boca. Volta ao seu lugar. Pozzo começa a vestir o sobretudo, mas pára.) Casaco! (Lucky coloca toda a bagagem no chão, avança, ajuda Pozzo a colocar seu sobretudo, volta ao seu lugar e pega toda a bagagem novamente.) Há um toque de outono no ar desta tarde. (Pozzo termina de abotoar o sobretudo, curva-se um pouco, inspeciona-se, fica satisfeito.) Chicote! (Lucky avança, inclina-se, Pozzo pega o chicote de sua boca, Lucky volta ao seu lugar.) Sim, cavalheiros, eu não posso ficar por muito tempo distante da companhia de meus semelhantes. (Ele coloca seus óculos e contempla seus semelhantes.) Mesmo quando a semelhança não é tão perfeita. (Ele tira seus óculos.) Banco! (Lucky coloca a mala e a cesta no chão, avança, abre o banco, coloca-o no chão, volta ao seu lugar, pega a mala e a cesta.) Mais perto! (Lucky coloca a mala e a cesta no chão, avança, move o banco, volta ao seu lugar, pega a mala e a cesta. Pozzo se senta, espeta o chicote no peito de Lucky e o empurra.) Para trás! (Lucky dá um passo para trás.) Mais! (Lucky dá outro passo para trás.) Pare! (Lucky pára. A Vladimir e Estragon.) Essa é a razão pela qual, se os senhores permitirem, proponho passar um momento em vossa companhia antes de prosseguir com a viagem. Cesta! (Lucky avança, lhe dá a cesta, volta ao seu lugar.) O ar fresco estimula o apetite indevido. (Ele abre a cesta, tira um pedaço de frango e uma garrafa de vinho.) Cesta! (Lucky avança, pega a cesta e volta ao seu lugar.) Mais! (Lucky dá um passo para trás.) Ele fede. À dias felizes! (Ele bebe da garrafa, a coloca no chão e começa a comer o frango. Silêncio.) Vladimir e Estragon – a princípio cautelosos e depois mais confiantes – começam a rodear Lucky, inspecionando-o de cima a baixo. Pozzo come seu frango vorazmente, atirando os ossos para longe após chupá-los. Lucky se curva lentamente, até que a mala e a cesta toquem o chão, então levanta-se de prontidão e começa a se curvar novamente. Ritmo de quem dorme em pé.
ESTRAGON
O que é que ele tem?
VLADIMIR
Parece cansado.
ESTRAGON
Por que ele não põe as bagagens no chão?
VLADIMIR
Como é que eu vou saber? (Eles chegam perto de Lucky.) Cuidado!
ESTRAGON
Fale com ele.
VLADIMIR
Veja!
ESTRAGON
O quê?
VLADIMIR (apontando)
O pescoço dele!
ESTRAGON (olhando para o pescoço de Lucky)
Não vejo nada.
VLADIMIR
Aqui.
Estragon vai até o lado de Vladimir.
ESTRAGON
Oh, sim!
VLADIMIR
Uma ferida!
ESTRAGON
É a corda.
VLADIMIR
É de tanto puxar.
(...)

(...)
Durante o violento monólogo de Lucky, os outros reagem como se segue:
1 – Vladimir e Estragon prestando muita atenção. Pozzo irritado e deprimido.
2 – Primeiros murmúrios de Vladimir e Estragon. Cresce o sofrimento de Pozzo.
3 – Vladimir e Estragon atentos novamente. Pozzo cada vez mais agitado, gemendo.
4 – Vladimir e Estragon exclamam violentamente. Pozzo se levanta num salto e puxa a corda. Clamor
geral. Lucky também puxa a corda, tenta se equilibrar e continua aos berros com seu texto. Todos os
três se atiram sobre Lucky, que resiste lutando e gritando seu texto.
LUCKY
Dada a existência conforme se comprova nos trabalhos publicados de Puncher e Wattmann de um Deus pessoal quáquáquáquá de barbas brancas quáquáquáquá fora do tempo fora do espaço estando fora da hipótese de compreensão que do alto de sua divina apatia divina atambia divina afasia a todos ama profundamente com algumas exceções por razões desconhecidas mas o tempo dirá e sofre como o divino Miranda com aqueles que por razões desconhecidas mas o tempo dirá estão mergulhados no tormento mergulhados no fogo cujo fogo da flama se durar e quem pode duvidar incendiará o firmamento isto é atirar o inferno ao céu tão azul tranqüilo e calmo tão calmo com uma calma que mesmo vista como intermitente é melhor que nada mas não tão rápido e considerando o que é mais que um resultado dos trabalhos inacabados concluídos pela Acacacacademia de Antropopopometria de Essy-em-Possy de Testew e Cunnard fica estabelecido descartando-se todas as dúvidas todas as outras dúvidas que o que é permitido aos cálculos humanos assim como o resultado dos trabalhos inacabados de Testew e Cunnard consta a seguir mas não nos apressemos não tão rápido por razões desconhecidas que tendo em vista um resultado dos trabalhos publicados de Puncher e Wattmann estão estabelecidas acima de qualquer dúvida que tendo em vista os esforços de Fartov e Belcher deixados incompletos por razões desconhecidas de Testew e unnard inacabadas fica estabelecido quantos refutam aquele homem em Possy de Testew e Cunnard aquele homem em Essy aquele homem enfim resumindo que o homem em resumo apesar dos progressos na alimentação e na defecação perdas e rejuvenescimentos perdas e rejuvenescimentos e ao mesmo tempo simultaneamente por razões desconhecidas apesar dos progressos na cultura física na prática de esportes como tênis futebol atletismo ciclismo natação aviação mergulho equitação pára-quedismo conação camogie patinação tênis de todos os tipos morte aviação esportes variados outono verão inverno inverno tênis de todos os tipos hockey de todos os jeitos penicilina e sucedâneos em poucas palavras eu resumo aviação pára-quedismo golfe de nove e de dezoito buracos tênis dos mais variados tipos em poucas palavras por razões desconhecidas em Feckham Peckham Fulham Clapham nomeando ao mesmo tempo simultaneamente o que por razões desconhecidas mas o tempo dirá definha resumindo Fulham Clapham em poucas palavras a morte per capita desde a morte de Bishop Berkeley sendo de uma polegada e um quarto per capita aproximadamente e muito mais ou menos próxima a medida decimal arredondada determina os pés descalços em Connemara em poucas palavras por razões desconhecidas não importa o que importa os fatos estão aí e considerando o que é mais muito mais grave que a luz a luz à luz dos esforços perdidos de Steinweg e Peterman parece o que é muito mais muito grave que a luz à luz a luz à luz dos trabalhos perdidos de Steinweg e Peterman que nas planícies nas montanhas pelos mares pelos rios água corrente correndo fogo corrente o ar é o mesmo e então a terra quer dizer o ar e então a terra no grande frio no grande escuro o ar e a terra transformam-se em pedra no grande frio tristemente no ano de seu Senhor seiscentos e alguma coisa o ar a terra o mar a terra transformam-se em pedra nas profundezas o grande frio no mar nas terras e no ar resumindo por razões desconhecidas apesar do tênis os fatos estão aí mas o tempo dirá em resumo tristemente em no enfim justo em frente em transformar-se em pedras quem pode duvidar resumindo mas não tão rápido sem pressa eu resumo o crânio sumindo sumindo sumindo e concomitantemente em paralelo o que é mais por razões desconhecidas apesar do crânio o crânio o crânio em Connemara apesar do tênis os cálculos abandonados inacabados enterrados ainda abrigando pedras em poucas palavras resumindo é uma pena tristemente abandonadas inacabadas o crânio o crânio em Connemara apesar do tênis do crânio das pedras Cunnard.
Confusão, tumulto e luta. Vociferações finais.